Disfaport

      Caso de Estudo - Baseado na pesquisa de campo

      Índice




 

Introdução

          Entre os vários agentes  no campo da Saúde Pública, designadamente no que diz respeito à Cadeia do Medicamento, a
          Distribuição Farmacêutica assume um papel único, recheado de particularidades. De facto, poucos são os consumidores que têm
          a verdadeira noção do conjunto de esforços e da variedade de estruturas que asseguram um abastecimento regular e controlado
          dos instrumentos que  permitem fazer face às enfermidades que nos afectam e que nos proporcionem uma melhor qualidade de
          vida.

          Quando  tomamos uma simples Aspirina®, por ocasião de uma leve dor de cabeça, não temos presente os milhares de horas de
          investigação que levaram ao seu desenvolvimento ou as centenas de técnicos e operadores que garantem a sua qualidade,
          integridade e disponibilidade, por todo o país e a todo o momento. Não temos nada disto presente… nem esse é o nosso dever.
          Mas, de facto, eles existem e trabalham quotidianamente para que nos habituemos a dizer …”aqui há de tudo, como na farmácia”.
          Actualmente, a chave desta lógica recai na Distribuição Farmacêutica.
 
 

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Situação Actual

          Existem hoje, aprovadas pelas entidades oficiais, cerca de 8.000 especialidades farmacêuticas, nas suas mais diversas formas
          farmacêuticas e apresentações. Para além destes produtos, refira-se que entre dispositivos médicos, material de penso e
          cirúrgico, reagentes, reactivos, químicos, produtos dietéticos, complementos alimentares, alimentação infantil, acessórios, artigos
          de parafarmácia, ortopedia, cosmética, higiene, beleza, perfumaria, etc., a lista de referências disponíveis ascende a mais de
          14.000, citando apenas alguns estudos.

          A indústria farmacêutica só muito raramente produz mais do que uma especialidade ao mesmo tempo, por motivos técnicos e
          comerciais. Existem mesmo unidades de produção que se dedicam exclusivamente a um único produto. Note-se ainda que em
          Portugal são raras as excepções de laboratórios que aqui tenham sediadas as suas unidades produtivas.
          Por outro lado, é rigorosamente impossível manter uma disponibilidade permanente de todos estes items ao nível da farmácia,
          tanto por questões logísticas como por motivos comerciais e de armazenamento.
          Assim, a farmácia abdicou completamente de manter um stock que lhe permita fazer face à diversidade da demanda pública,
          recaindo essa função na menos visível face da Distribuição Farmacêutica. Este sector é, portanto, responsável pela aquisição
          junto das entidades produtoras ou seus representantes, assegurando ao consumidor a sua disponibilidade permanente, por via da
          farmácia.
          É neste contexto que se insere a Disfaport – Distribuidora de Produtos Farmacêuticos S.A..
 
 

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A Disfaport

          Esta empresa de Distribuição Farmacêutica, nascida há pouco mais de um ano, está sediada no concelho de Sintra e tem como
          área de intervenção prioritária a Área Metropolitana de Lisboa. As suas rotas diárias de distribuição atingem hoje pontos tão
          distantes como Santarém ou Setúbal. Estão referenciadas neste sector geográfico cerca de 800 farmácias, potenciais
          clientes-alvo dos serviços oferecidos pela Disfaport, S.A. (note-se que este valor equivale a cerca de 30% da cobertura de
          farmácias do nosso país).
          Existem outros concorrentes bem mais implantados neste mercado, sendo disso mesmo exemplos a Codifar, a União dos
          Farmacêuticos, a Alliance-Unichem, a OCP Portugal, a Soquifa ou a Botelho & Rodrigues.
          As duas primeiras estruturas são de natureza cooperativa, existindo há cerca de 25 anos. As restantes são  privadas e mais
          recentes no mercado. Resultam, com algumas excepções, da compra de entidades privadas anteriores por parte de grupos
          económicos estrangeiros.

          Os fornecedores da Disfaport, regra geral os mesmos que dos concorrentes, são laboratórios farmacêuticos ou outras entidades
          que comercializem os seus produtos. Podemos acrescentar, que dadas as condições particulares deste mercado, os
          fornecedores da distribuição farmacêutica são os detentores únicos da patente dos produtos que comercializam, facto que lhes
          permite uma posição priveligiada. Outros fornecedores são as entidades fornecedoras de serviços externos ou de produtos
          consumíveis no decurso do normal desenvolvimento das actividades levadas a cabo pela Disfaport.

          Os clientes da Disfaport são quase exclusivamente farmácias, caracterizadas por uma grande diversidade  de necessidades de
          abastecimento, localizadas em pontos extraordinariamente dispersos dentro da sua área de intervenção. Por opção estratégica
          não estão entre os potenciais clientes-alvo as unidades prestadoras de cuidados de saúde, sejam elas públicas ou privadas, ou
          quaisquer outras instituições habilitadas a consumir medicamentos ou produtos farmacêuticos. No entanto isto não é uma regra,
          podendo ser ajustada a qualquer momento, existindo contudo o compromisso de prestar este tipo de serviços apenas no seio do
          canal farmacêutico tradicional.

          Acrescente-se que este é porventura o único sector empresarial de participação privada onde é a entidade reguladora a fixar os
          preços, margens de comercialização, etc, e em que a regulamentação estatal é sentida e exercida a todos os níveis de operação.
          Neste actividade não existem folgas semanais ou feriados. A qualquer hora do dia ou noite, em qualquer dia do ano, poderá um
          utente necessitar de um produto, o que faz desencadear  todo o processo referenciado anteriormente.

          A missão que a Disfaport impõe a si própria é nada mais do que esta: estar sempre preparada para dar total resposta a esta
          demanda, onde e quando for necessário.
 
 

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A Estrutura

          Do ponto de vista organizativo poderemos sistematizar a estrutura da empresa, em traços muito gerais, da seguinte forma:
 

          A Administração é responsável pelas grandes opções estratégicas e por decidir os caminhos da actividade desenvolvida pela
          Disfaport.

          A Direcção Técnica  tem a responsabilidade técnica e profissional exigida por lei, acrescida das funções de coordenação
          operativa dos vários sectores e da execução dos mecanismos necessários para levar a cabo os objectivos sublinhados pela
          Administração.

          O Departamento de Compras leva a cabo as negociações e procedimentos relacionados com a aquisição de produtos, bem
          como trocas ou devoluções. Conjuntamente com os Departamentos de Logística e Recursos, responsabilizam-se pela
          manutenção, em permanência, de stocks adequados.

          O Departamento de Contabilidade dedica-se à gestão dos processos bem como ao pagamento a fornecedores, recebimentos de
          clientes, controlo de fluxos de tesouraria e centros de custos, gestão de recursos financeiros, etc.

          O Departamento Comercial é responsável pelo contacto directo com os clientes, apresentação dos modelos e serviços propostos
          pela Disfaport e pela prestação de um serviço de consultadoria. A constante avaliação do mercado, da concorrência e
          desenvolvimento de respostas adequadas também faz parte das suas tarefas.

          O Departamento de Apoio ao Cliente presta informação e auxilio técnico e comercial aos seus interlocutores, recebe e processa
          pedidos e encomendas, encaminha questões e devolve soluções, para além de assistir o Departamento Comercial nos contactos
          com os clientes.

          O Departamento de Logística é aquele que se dedica de forma mais objectiva ao core-business da Disfaport. Neste departamento
          decorrem todos os mecanismos que envolvem manuseamento de produtos, desde a sua entrada na Disfaport (ou mesmo até
          desde a sua saída das instalações do fornecedor) até à sua entrega no destinatário. As suas funções também incluem a
          preparação de encomendas, de gestão das existências, de conferência de entradas e saídas, de garantia das condições óptimas
          de armazenamento, etc. A logística operativa de distribuição é também desenvolvida a este nível.

          O Departamento de Recursos funciona como uma supraestrutura quanto a qualquer destes departamentos. De facto, este
          departamento é um mecanismo de unificação e coordenação dos restantes, funcionando na dependência directa da Direcção
          Técnica. Desta forma, cabe-lhe assegurar a boa manutenção e funcionalidade dos recursos – humanos, técnicos, logísticos,
          informáticos, de material, etc. As actividades formativas são igualmente desenvolvidas a este nível.
 
 

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Gestão da Informação

          A filosofia de gestão aplicada na Disfaport pressupõe uma gestão descentralizada, operacionalmente coordenada pela chefia e
          aprovada pela Administração.
          Torna-se aqui clara uma extraordinária interdependência entre todos os sectores, onde a informação é fundamental e a sua
          partilha é uma arma de gestão indispensável. Por outro lado, dispondo a Disfaport de um quadro de pessoal bastante pequeno e
          de um horário de funcionamento alargado, torna-se vital a polivalência de todos os elementos e sectores, o que não seria possível
          sem a transmissão constante de informação e partilha de problemas e respectivas soluções.

          As próprias actividades de controle e coordenação não seriam possíveis caso não existisse um sistema de gestão de informação
          adequado e funcional.

          Já a outro nível, a informação continua a ser a pedra de toque. A informação e acessoria prestada aos clientes tem por base a
          informação que é disponibilizada, seja ela do tipo comercial ou técnico. No que diz respeito ao relacionamento da Disfaport com
          os seus clientes, as aplicações informáticas desempenham um papel fulcral. Note-se que a facilidade em manusear um tão vasto
          leque de produtos só é viável a partir das bases de dados que estejam implementadas. Todas as informações relativas aos
          produtos  estão aqui contidas, sejam relativas à sua recepção, stockagem, armazenamento ou expedição. Os próprios pedidos de
          clientes são geralmente transmitidos por via informática, depois de terem sido gerados ao nível da sua aplicação local, para que
          depois sejam processados nas instalações da Disfaport.
          Para completar esta breve panorâmica da importância dos sistemas de gestão da informação na Distribuição Farmacêutica
          refira-se que estão aqui considerados volumes de informação tão elevados que seria impossível o seu processamento manual.
          Por outro lado existe um conjunto de registos regular e legalmente exigidos, cuja gestão informática se torna muito menos pesada.

          Apesar da sua enorme importância, ou porventura por causa dela, existem algumas limitações genéricas na aplicação informática
          presente na Disfaport. De acordo com os seus responsáveis, esta aplicação torna-se demasiado estanque e rígida, não sendo
          facilmente adaptável às necessidades da Disfaport. Por outro lado, com demasiada frequência se encontram erros aparentemente
          inexplicáveis. Ainda neste aspecto, esta aplicação torna-se verdadeiramente limitante ao não permitir que estejam activas um
          conjunto importante de funções uma vez no modo de consulta, quando no modo que permite a introdução de dados não existe
          nenhuma segurança quanto à informação pré-existente – neste modo, qualquer alteração acidentalmente introduzida é de imediato
          assumida, sem possibilidade de retrocesso.
          Outra desvantagem desta aplicação é o facto de não ser imediatamente compatível com todas as aplicações existentes no
          mercado, ao nível dos clientes.

          Em jeito de compensação existem também algumas vantagens importantes. Desde logo, o facto de a Disfaport não ter sido
          penalizada com parte significativa dos custos de desenvolvimento do programa informático. Este programa, ainda que sob a forma
          de outra versão, já existia antes da constituição da Disfaport. Este facto é justificado pela circunstância de a empresa responsável
          pela aplicação ser fornecedora de serviços informáticos  a boa parte dos restantes concorrentes. Assim, no surgimento da
          Disfaport, o programa não foi desenvolvido propositadamente, mas sim adaptado aos requisitos da empresa.
           Por outro lado, se bem que não seja imediatamente compatível com todas as aplicações existentes nos clientes, será facilmente
          compatível com cerca de 80 a 90% dos clientes, facto que é de salientar. Acrescente-se ainda que as actualizações das versões
          disponíveis ocorrem a um ritmo bastante acelerado, porventura até demasiado.
 
 

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O Futuro

          Perspectivando o futuro, importa salientar que todo o core-business da Disfaport assenta na gestão da informação, de acordo
          com o que anteriormente foi referido. As adaptações, melhorias e desenvolvimento das ferramentas informáticas deverão apontar
          numa  maior adaptabilidade às especificações do utilizador, eliminando todos os factores limitantes, potenciando a funcionalidade
          da aplicação e diminuindo a probabilidade de surgimento de erros. Esta é de facto a maior razão de queixa transmitida pela
          Disfaport. Uma visualização mais racional da informação e uma operacionalidade mais lógica das funções da aplicação foram
          outras das sugestões apresentadas.

          Outras linhas de desenvolvimento passam pela maior rapidez no processamento de pedidos de clientes e pela diminuição do
          “peso” da aplicação, que compromete a funcionalidade de outras instaladas na mesma máquina. Numa proposta apresentada
          pelos responsáveis preveu-se o dia em que tanto os clientes como o distribuidor teriam acesso, em tempo real, aos stocks do
          interlocutor, permitindo-se assim o desenvolvimento, tanto de propostas comerciais muito mais atractivas para o cliente, como de
          pedidos mais adequados à especialização do distribuidor.

          A vertente e-commerce e informativa on-line é uma proposta igualmente interessante. Neste âmbito a Disfaport disponibilizaria
          uma área restrita a profissionais e clientes – onde existiria informação controlada e de carácter confidencial – e outra de acesso
          público, puramente informativa, contendo espaços de discussão e divulgação. A secção confidencial permitiria a gestão à
          distância dos mais variados processos, nomeadamente a transacção de produtos, bem como –do ponto de vista dos clientes – o
          acesso às suas contas correntes, efectuar pagamentos, accionar créditos, entre muitas outras possibilidades. Será sem dúvida
          uma área a explorar.

          Em suma podemos dizer que a Disfaport está consciente do impacto que a gestão da informação tem nas suas actividades
          quotidianas, bem como da importância dos recursos informáticos no âmbito das suas relações comerciais. Existe empenho em
          que estes sistemas sejam desenvolvidos de forma concertada e sustentada, por forma a que assumam cada vez mais o seu lugar
          de ferramenta indispensável ao desenvolvimento da estrutura empresarial. A hipotética expansão a nível nacional ou supranacional
          estará também condicionada por limitantes desta natureza.

          Por último, a Disfaport está ciente de que o futuro passa cada vez mais pelas tecnologias da informação e pelo relacionamento
          on-line. A Distribuição Farmacêutica na World Wide Web torna-se cada vez mais um fim indispensável ao invés de um simples
          meio acessório.
 
 

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