Existem muitos tipos de análises de forças estáticas, que pouco ajudam quando uma dessas forças cresce com uma magnitude '10X'. Vou-me basear numa dessas análises, a de Porter, e as forças são:
· Poder, vigor e competência dos concorrentes existentes.
· Poder, vigor e competência dos nossos fornecedores.
· Poder, vigor e competência dos nossos clientes.
· Poder, vigor e competência de potenciais competidores.
· Substituição - Possibilidade do produto ou serviço poder ser feito de um modo diferente. Este factor é provavelmente o mais importante de todos. Novas técnicas, novas tecnologias podem descontrolar a velha ordem e impor um novo conjunto de regras.
Recentes modificações da teoria competitiva chamaram a atenção para uma sexta força:
· A força das empresas complementares.
Empresas complementares são outras empresas a quem os clientes compram produtos complementares ao nosso. Computadores precisam de software; software precisa de computadores. Estas empresas complementares podem ser consideradas companheiras de negócio. Os produtos suportam-se uns aos outros.

Fig. I.2.1 - Diagrama com as seis forças.
Quando uma mudança na forma como um elemento da empresa é conduzido torna-se de uma magnitude muito maior do que essa empresa estava habituada, todas as apostas perdem sentido. Existem ondas e depois tufões. Existem forças competitivas e depois forças super-competitivas. Eu chamarei a uma mudança tão grande em uma destas seis forças uma mudança '10X', sugerindo que a força é dez vezes superior ao que era recentemente.
Quando um negócio se vê confrontado com uma força desta magnitude, as mudanças que enfrenta são enormes. Face a esta força '10X' perde-se o controlo sobre o destino. Acontecem coisas que nunca aconteciam antes, a empresa já não responde ás acções dos seus gestores tal como fazia antigamente. É a momentos como este que se adapta a expressão 'Algo mudou'.
Gerir uma empresa face a uma força '10X' é muito, muito difícil. A empresa responde de maneira diferente a acções de gestão habituais. Perdemos o controle e não sabemos como voltar a adquiri-lo. Eventualmente, poder-se-á chegar a um novo equilíbrio no sector em causa. Algumas empresas serão mais fortes, outras serão mais fracas. De qualquer forma, o período de transição é particularmente confuso e imprevisível.
Ninguém vai tocar um sino para chamar a tua atenção para o facto de estares a entrar numa transição destas. É um processo gradual, as forças começaram a crescer e, as características da empresa começam a mudar. Só o início e o fim desta fase são claras, o período de transição é gradual e confuso.
O que uma transição destas faz a uma empresa é profundo, e a forma como a empresa lida com esta transição determina o seu futuro. Eu gosto de descrever este fenómeno como sendo um 'ponto de inflexão estratégico'.
O que é um ponto de inflexão? Em termos físicos, é o ponto onde a curva muda de convexo para côncavo, ou vice-versa, é o ponto no qual a curva pára de curvar num sentido para passar a curvar no outro.
Um ponto de inflexão ocorre quando a figura da velha estratégia se dissolve e dá lugar á nova, permitindo ao negócio aspirar a novas ambições. De qualquer forma, se não se navega correctamente através do ponto de inflexão, atinge-se um pico e entra-se em declínio. É á volta deste ponto de inflexão que a gestão se torna confusa e que se observa, 'As coisas são diferentes. Algo mudou'.
De outro modo, um ponto de inflexão estratégico é quando a relação de forças de uma velha estrutura, os velhos modos do negócio, os velhos modos de competição, mudam para os novos. Antes do ponto de inflexão estratégico a indústria simplesmente era mais como a antiga. Depois dele, é mais como a nova. É um ponto onde a curva subtilmente mas profundamente mudou, nunca voltando a ser o que era.
Como é que nós sabemos que um conjunto de características corresponde a um ponto de inflexão estratégico?
Muitas vezes o reconhecimento é feito por fases. Primeiro, a sensação de que algo é diferente, algo não funciona como de costume. Depois, dissonância entre o que a empresa pensa que está a fazer e o que está a acontecer no seu interior. Posteriormente, uma nova estrutura do sector do negócio surge.
Quando tu és apanhado por um ponto de inflexão estratégico, o instinto e o julgamento é tudo o que tu tens para te conduzir através dele.